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O eczema é um tipo específico de dermite, sendo o padrão mais expressivo e mais frequente de inflamação cutânea. Há diversos tipos de eczema, podendo ser desencadeados por infecções, traumatismo, factores ambientais, alterações vasculares, ...
Porém, hoje vou debruçar-me sobre um tipo particular desta dermite: o eczema atópico.
O eczema atópico é uma inflamação crónica pruriginosa e que surge, particularmente, em indivíduos com predisposição familiar (para asma e rinite alérgicas). É frequente um bebé que tem eczema atópico, vir a ter asma, quando criança, e na idade adulta desenvolver rinite alérgica.
O eczema atópico é mais prevalente na criança e nos indivíduos do sexo masculino e resulta de uma reacção cutânea exagerada de hipersensibilidade tipo I. Esta é uma hipersensibilidade imediata, cuja resposta se desenvolve em 2 a 30 minutos, e que é mediada pelas IgE (geralmente aumentadas nestes indivíduos).
Substâncias irritantes (lã, sabão, detergentes), infecções por microorganismos, contacto com alergénios (ácaros, pólens, pêlos animais), alguns alimentos (leite, ovo, amendoim, peixes,...), variações da temperatura ou humidade, stress são alguns dos factores desencadeantes desta patologia.
O eczema atópico surge geralmente por volta dos 3 meses de vida (quando ocorre a maturação do sistema imunitário da criança) e manifesta-se por lesões eritematosas (vermelhas), exsudativas e pruriginosas, com edema associado (inchaço), geralmente, localizadas na face (bochechas e queixo), couro cabeludo, membros superiores e inferiores e na região das fraldas.

Entre os sintomas, verifica-se uma pele xerótica (seca) e com descamação, com prurido (comichão) e sudação intensos e intolerância têxtil (estes indivíduos apenas suportam roupa de 100% algodão). O acto de coçar estas lesões, agrava as mesmas, leva à formação de crostas amareladas e à perda da função barreira da pele, com a facilitação das infecções por esta via.

A partir dos 2 anos as lesões passam a ser acompanhadas de liquenificação (espessamento, escurecimento e estriação da pele) e localizam-se sobretudo nas pregas cutâneas (popliteia - por trás dos joelhos, sangradouro - parte anterior do cotovelo, região retroauricular).
No adolescente, a maioria das lesões sofre remissão, porém algumas mantém-se e passam a localizar-se preferencialmente nas pregas, região anogenital e pálpebras.

O diagnóstico é essencialmente clínico. É feito através da história familiar de atopia, eventualmente pela pesquisa de IgE aumentadas mas, sobretudo, pelas lesões características e intenso prurido associado.
O tratamento do eczema atópico passa pela identificação e evitamento dos factores desencadeantes (roupa de lã, roupa justa, frio, vento, imersão prolongada em água quente) e pela terapêutica farmacológica. Usam-se fármacos tópicos, aplicados localmente, como os corticosteróides (que devem ser evitados nas pregas e face, devido ao risco de atrofia cutânea), emolientes e o tacrolímus. Pode ainda recorrer-se aos corticosteróides sistémicos (prednisona) durante um curto período de tempo (têm muitos efeitos adversos, e são de evitar nas crianças) e aos anti-histamínicos (essenciais para diminuir o prurido). Por fim, pode ser necessário o uso de antibióticos para tratar eventuais infecções da pele.

Desejo a todos os seguidores do blog, uma excelente quadra natalícia, em família, com muita paz e, claro está, SAÚDE!
Boas Festas,
Vânia Caldeira

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Diabetes Mellitus.É uma verdadeira epidemia deste século e tem de ser combatida de forma eficaz. Em Portugal, esta doença já afecta quase um milhão de pessoas. Na verdade, um estudo epidemiológico deste ano, vem demonstrar que o nosso país já atingiu a prevalência que era esperada para 2025. A este ritmo, é possível que nessa altura, a diabetes afecte 20% da população portuguesa. Além disso, esta continua a ser uma patologia subdiagnosticada no nosso país. Muitas vezes o diagnóstico apenas é feito tardiamente, aquando das primeiras manifestações oculares (retinopatia diabética) ou renais (nefropatia). É também preocupante o facto de a DM tipo 2 (aquela que é adquirida, ou seja, está geralmente associada a um estilo de vida de risco) afectar cada vez mais indivíduos jovens, entre os 20 e os 39 anos.
É fundamental intervir através da sensibilização. Alertar as pessoas para os rastreios que decorrem frequentemente ao longo do país e, sobretudo, para uma preocupação individual. Cada um é responsável pela sua saúde e deve preservá-la, quer através de consultas de rotina no médico de família (que deve fazer análises à glicémia para despistar esta patologia), quer através de um estilo de vida saudável.
Vale a pena relembrar que são factores de risco para a DM: a hipertensão arterial, a obesidade ou excesso de peso, hipercolesterolémia e sedentarismo. Surge assim o importante conceito de pré-diabéticos, indivíduos que terão uma predisposição aumentada de desenvolverem a patologia, quer por factores genéticos, quer por factores do estilo de vida (sendo estes modificáveis e, por isso, os mais importantes).
Para prevenir a diabetes são passos fundamentais:
- controlo rigoroso e regular da glicémia, da tensão arterial e do colesterol
- uma alimentação equilibrada e pobre em gorduras - opte pelos lacticínios magros, carnes brancas (frango, peru), fibras, brócolos, massa e arroz integral, azeite, vinagre, frutas e verduras, frutos secos, soja, cebola e alho, leguminosas, cereais integrais, ...
- exercício físico regular
Procure ter um papel activo na sua saúde, optando por um estilo de vida saudável. Escape à diabetes!

A dor neuropática existe e deve ser diagnosticada e tratada! Este é o novo lema da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, que está de parabéns pela fantástica campanha de divulgação, visualmente muitíssimo bem conseguida, que tem levado a cabo. Revistas, televisões e jornais são o palco desta campanha que permite sensibilizar para o conceito de dor neuropática.
Mas o que é afinal esta dor?
É uma dor crónica (com duração superior a um mês), resultante de uma lesão nervosa central ou periférica, isto é, a nível do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) ou dos nervos, com diversas etiologias. Nesta dor, não há propriamente um estímulo nociceptivo e, por isso, a dor não tem um carácter protector ou de alarme (como a dor aguda). É uma dor mal localizada ou difusa e que pode ter diversos padrões de apresentação: em queimadura ou ardor (mais frequente nas lesões de fibras nervosas finas), em picada, em formigueiro ou dar a sensação de choques eléctricos (fibras nervosas grossas).
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Na base podem estar doenças degenerativas como a esclerose múltipla, traumatismos ou acidentes de viação, cirurgias, amputações (a dor do membro fantasma, em que uma pessoa a quem foi amputado o braço direito, por exemplo, sente dor como se fosse nesse braço, apesar dele não lá estar), a neuropatia diabética, nevralgia pós-herpética (dor que surge após episódios de zona e afecta a mesma região ou dermátomo), lombalgia, alcoolismo e deficiências nutricionais.

É fundamental a procura de um médico, preferencialmente um especialista, visto que actualmente existem diversos hospitais que dispõem de Consulta da Dor. Esta dor, apesar de crónica, pode e deve ser tratada.
Entre as hipóteses terapêuticas, encontram-se as seguintes:
- anticonvulsionantes, também usados na epilepsia (carbamazepina, lamotrigina) - diminuem a actividade eléctrica nervosa e, assim, inibem a transmissão do impulso da dor
- anestésicos (ropivacaína, cetamina)
- antidepressivos (amitriptilina, imipramina) - são estimuladores de vias que inibem a transmissão da dor e, simultaneamente, actuam no estado depressivo causado pelo sofrimento doloroso
Em casos mais graves, pode mesmo recorrer-se à cirurgia, com a colocação de eléctrodos estimulantes (ex: electromodulação medular).
O tratamento tem por objectivo a cura da dor neuropática e, consequentemente, a diminuição da incapacidade diária, o aumento da qualidade do sono e da auto-estima.
Assinala-se no dia 13 de Outubro, o Dia Mundial da Dor Neuropática.
Recomendo ainda a passagem pelo site que está a promover a campanha que inicialmente referi (http://www.dormisteriosa.com.pt/), visto que o mesmo tem alguns casos clínicos exemplificativos e disponibiliza ainda um questionário para caracterização da dor, que pode ser usado pelos doentes:
http://www.dormisteriosa.com.pt/sites/Pf

Pois é, chegaram as merecidas férias. Assim, sendo, estarei fora na próxima semana.
Desejo a todos umas excelentes (e saudáveis) férias!!!
Cumprimentos,
Vânia Caldeira

O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) é uma doença inflamatória crónica de causa ainda desconhecida, que se pensa estar relacionada com alguma susceptibilidade genética e ser desencadeada por agressões ambientais (vírus, agentes químicos, radiação, factores emocionais).
É uma doença auto-imune (hipersensibilidade tipo III) em que são produzidos anticorpos contra as células do próprio organismo. Estes auto-anticorpos vão ser os responsáveis pelas lesões teciduais e orgânicas características do LES.
Atinge principalmente mulheres jovens (9:1) e os primeiros sintomas são, geralmente, inespecíficos: febre, cansaço, anorexia, perda de peso. Só algumas semanas depois surgem as artalgias e mialgias (dores articulares e musculares) e o típico eritema em forma de borboleta na face (que dá o nome à doença).
O LES é uma doença que afecta particularmente as articulações (em 90% dos doentes), o rim (75%), o coração, as serosas e a pele.
Há ainda uma forma de Lúpus, o LEC (lúpus cutâneo), cujas manifestações são benignas e se limitam apenas à pele.

Pele:
- ocorre a formação de placas eritematosas descamativas, vermelhas e elevadas, em todo o corpo, principalmente, nas zonas mais expostas ao sol (foto-sensibilidade em vários doentes com LES)
- estas lesões curam com a atrofia do tecido, e são acompanhadas por uma perda de cor e aparecimento de cicatriz nessa zona
- a queda de cabelo também é um sinal relativamente frequente devido à atrofia dos complexos pilosebáceos
- as lesões cutâneas são muito marcantes para os indivíduos que sofrem de LES, pelo que é importante desmistificar esta doença, que não é contagiosa nem infecciosa

Articulações:
- a artrite é uma manifestação muito frequente e pode dar origem a deformações articulares graves (semelhantes às da artrite reumatóide)

Rins:
- a deposição de imunocomplexos no rim, leva ao desenvolvimento de glomerulonefrite (há espessamentos da mebrana dos vasos sanguíneos e proliferação celular, o que dificulta a filtração glomerular)
- em situações mais graves, pode mesmo ser necessário recorrer à transplantação renal

Coração:
- podem surgir lesões de valvulas cardíacas ou inflamações do miocárdio e das artérias coronárias
Serosas:
- é frequente ocorrer a inflamação das serosas, membranas que revestem importantes órgãos do nosso organismo, o que resulta em pericardite (pericárdio - coração), pleurite (pleura - pulmões)
Vasos:
- ocorre o fenómeno de Raynaud - é um distúrbio que leva a uma vasoconstrição com consequente diminuição do fluxo sanguíneo nas extremidades; é por isso que os doentes com LES têm geralmente as mãos frias e podem mesmo adquirir uma coloração pálida ou mesmo arroxeada (cianose)
- mais raramente, surgem vasculites (inflamações dos vasos)

Podem ainda surgir algumas desordens hematológicas (anemia) e neurológicas (neuropatia periférica, convulsões, coreia) associadas ao LES.

O LES é uma doença que tem tratamento e este não é apenas farmacológico. Assim, é importante:
- evitar a exposição solar (sobretudo em doentes com eritemas ou com fotossensibilidade)
- aquando de exposição, usar sempre protector solar adequado
- o álcool, o fumo do tabaco, os contraceptivos orais e as penicilinas podem desencadear a doença, pelo que devem ser evitados
- exercícios articulares regulares intercalados com repouso são fundamentais para a manutenção da mobilidade das articulações

Quanto à terapêutica farmacológica são usados:
- corticosteróides (potentes anti-inflamatórios que aliviam os sintomas , mas têm bastantes efeitos adversos quando administrados oralmente a longo prazo; no LEC, geralmente, é suficiente a administração de corticosteróides tópicos que, têm, muito menor ocorrência de efeitos adversos)
- anti-inflamatórios não esteróides, como a aspirina ou o ibuprofeno (resolvem a febre e a artrite)
- anti-maláricos, como a hiodroxicloroquina (controlam as manifestações cutâneas e a artrite; mas podem ter efeitos adversos visuais)
- imunosupressores, como a azatioprina e a ciclofosfamida (permitem inibir a resposta exagerada e despropositada do sistema imunitário; porém o indivíduo fica mais susceptível a infecções); estão geralmente reservados para os casos mais graves resistentes à restante terapêutica (nefrite lúpica e distúrbios neurológicos)
Para mais informações, aconselho a consulta do site da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia: http://www.dermo.pt/
O Ministério da Saúde tem estado a decidir que grupos incluir na lista de prioridades para quimioprofilaxia para a Gripe A.
Apesar da morte da jovem grávida em Espanha, o grupo das grávidas ainda está a ser estudado para perceber até que ponto são ou não mais vulneráveis à infecção por esta estirpe do vírus Influenza. Grupo já garantido na lista para receber a vacina contra a gripe A (quando esta estiver disponível) é o dos asmáticos, visto que a patologia respiratória prévia agrava os sintomas da gripe A e a evolução e o prognóstico da doença. Estudos demonstram que o vírus parece mesmo precipitar crises de exacerbação aguda da asma.
Outros doentes com patologia crónica do foro respiratório (DPOC), patologia cardíaca ou metabólica (diabetes) também parecem ser doentes mais susceptíveis perante a doença.
Porém, os estudos para compreender o vírus continuam e as prioridades ainda não estão definidas, nem a nível nacional, nem a nível internacional.

Entretanto o número de infectados subiu para 18 no nosso país, sem qualquer registo de caso mortal.
A identificação dos sintomas pelo doente e a comunicação dos mesmos à linha de saúde 24 (808 24 24 24) é fundamental:
- febre repentina (superior a 38ºC)
- tosse intensa
- cefaleias
- artralgias (dores articulares)
- anorexia (falta de apetite)
- congestão nasal
- mal-estar geral
O diagnóstico é realizado no hospital através da análise das secreções e do sangue (identificação de anticorpos).
O tratamento tem sido bastante eficaz e consiste na administração dos inibidores da neuraminidase, particularmente, o oseltamivir (Tamiflu). Após um caso relatado de resistência a este antiviral, foi também administrado o zanamivir, da mesma classe de fármacos, que eliminou a infecção.
A higiene das mãos é uma importantíssima medida de prevenção primária.

Hoje, dia em que se relembra esta patologia tão frequente, decidi cumprir a promessa que ficara pendente há já algum tempo e abordar a terapêutica e as complicações da diabetes.
Para relembrar o que é a diabetes, consultar o post:
http://coursejournal_medicina.blogs.sapo.p
Sucintamente, a diabetes resulta de um distúrbio na produção da hormona reguladora da concentração de glicose (açúcar) no sangue. Esta hotmona designa-se insulina e pode estar completamente ausente (diabéticos tipo-1 ou insulino-dependentes) ou pode estar moderadamente diminuída e associada a uma menor resposta dos tecidos à presença da mesma (diabéticos tipo-2).
Relembrando os principais sintomas da diabetes:
- sede
- desidratação
- aumento do volume urinário (poliúria)
- infecções do tracto urinário
- perda de peso
- cansaço, letargia
- visão turva

O diagnóstico é, geralmente, feito com uma análise à urina ou ao sangue em doentes sintomáticos. Pode ser realizada uma prova de tolerância à glicose oral - PTGO (raramente há necessidade). Os valores considerados normais são:
- glicémia (em jejum): 90-120mg/dL
- glicémia pós-prandial: inferior a 150 mg/dL
- HbA1C (Hb glicada): inferior a 7%

Acima dos 126mg/dL pode fazer-se o diagnóstico de diabetes.
A diabetes acarreta dois tipos de complicações: as microvasculares (nefropatia, neuropatia e retinopatia) e as macrovasculares (EAM, AVC, isquémia dos membro inferiores, ...).
Olho:
A desidratação do cristalino, uma das primeiras consequências da diabetes, leva à característica visão turva dos doentes. Além disso, a acumulação de açúcares no cristalino opacificam o mesmo, levando ao desenvolvimento de cataratas. Mas a patologia mais importante a nível ocular é a retinopatia diabética, causada pela deposição de glicose nos pequenos vasos sanguíneos que vascularizam a retina. Numa primeira fase há a acumulação de exsudados e o surgimento de microaneurismas no fundo do olho; mais tardiamente inicia-se uma processo de neovascularização (com neovasos frágeis) que pode levar a hemorragia vítrea.

Rim:
Os pequenos vasos renais também são muito susceptíveis de serem lesados pela acumulação de glicose: isto vai comprometer a função de filtração do rim, que vai deixar passar certas proteínas que, anteriormente, voltariam ao sangue: aumenta, assim, a excreção de albumina na urina. É um bom marcador, numa fase precoce, das complicações renais da diabetes- microalbinúria.

Nervos periféricos:
Através da lesão dos vasos sanguíneos que os irrigam ou através de uma lesão directa das próprias fibras nervosas. A neuropatia pode afectar nervos motores (dedos em forma de garra, perda de força motora, ...), nervos sensoriais (inicialmente pode aumentar a sensação da dor, mas progressivamente há perda de sensibilidade, o que pode ser particularmente grave) e nervos autónomos (são aqueles responsáveis pelas funções fisiológicas do organismo, podendo levar à bexiga neurogénica diabética ou à disfunção sexual nos homens).

Artérias:
A diabetes conduz ao endurecimento e estreitamento das artérias, o que diminui o fluxo sanguíneo e leva a patologias como: enfarte agudo do miocárdio (EAM), acidente vascular cerebral (AVC). O excesso de peso, o tabagismo, a hipercolesterolémia e a HTA agravam ainda mais estas manifestações macrovasculares, pelo que é fundamentar eliminar estes co-factores ou reduzi-los.

Pé diabético:
É uma das principais características desta patologia. Resulta de uma má irrigação sanguínea, que pode levar à gangrena (necrose) do membro inferior; neuropatia com perda de sensibilidade e dedos em garra, desidratação e perda de elasticidade e ossos mais salientes.

Tratamento da Diabetes:
- ALIMENTAÇÃO - uma dieta equilibrada com refeições regulares, com alguns hidratos de carbono (farináceos) particularmente ricos em fibras, evitar as gorduras e preferir as polinsaturadas (óleo de girassol e de milho, margarinas de girassol), limitar a ingestão de açúcares e doces, evitar o sal em evcesso ; a perda de peso e a prática de exercício regular também são uma medidas importantes

- MEDICAÇÃO - existem actualmente diversos fármacos para controlar a glicémia:
- Biguanidas (metformina) - fármacos de 1ª linha no tratamento da diabetes
- Sulfonilureias (clorpropamida, glipizida, glicazida, ...)
- Acarbose - inibe a absorção de glicose a nível intestinal
- Glitazonas (pioglitazona, rosiglitazona)
- Glinidas
- Insulinoterapia (Lispro, Aspart) - sobretudo para Diabetes tipo 1 e nos diabéticos tipo 2 não controlados com os antidiabéticos orais

Por fim, no Dia Mundial da Diabetes, é fundamental lembrar que as complicações da diabetes podem ser prevenidas e tratadas. Tudo parte de uma alteração do estilo de vida e, eventualmente, de intervenção médica.
Recomendo a consulta da página da Sociedade Portuguesa de Diabetologia:

O Rotavírus é um vírus da família Reoviridae e é um agente comum de gastroenterites infantis em todo o mundo. Existem vários serotipos, grupos e subgrupos, sendo os grupos A, B e C os mais virulentos para a espécie humana.
Este vírus é ubíquo em todo o mundo e a sua transmissão ocorre por via fecal-oral. Os grupos de risco são as crianças com menos de 24 meses ou subnutridas. São particularmente frequentes os surtos em infantários e nos serviços de Neonatologia.
O vírus afecta mais de 18 milhões de recém-nascidos e crianças e é responsável por cerca de 1 milhão de mortes por ano. Nos adultos, a infecção é, geralmente, assintomática.
Mas é no continente africano que a doença é mais preocupante.
Cerca de 580 crianças morrem diariamente em África devido a infecções gastrointestinais provocadas pelo Rotavirus, um número que contrasta com as 200 mortes anuais na Europa. Os sistemas de saúde deficitários em África e a falta de vacinação contribuem para esta disparidade.
A gastroenterite por Rotavírus é caracterizada por um quadro clínico de vómitos, diarreia, febre e desidratação. A infecção viral causa o encurtamento das microvilosidades intestinais e a inflitração da lâmina própria por células mononucleadas, o que impede a reabsorção de água, levando à excreção da mesma juntamente com iões e, assim, a uma diarreia aquosa (desprovida de sangue ou leucócitos).

Esta é uma doença particularmente grave e contagiosa, que se não for rapidamente tratada com reposição hidro-electrolítica pode ser fatal. Apesar de tudo, quando tratada é uma doença auto-limitada e a recuperação geralmente é completa.
A imunidade é geralmente conferida por IgA.

Não há qualquer terapia antiviral específica para tratar esta infecção. Como a gravidade da doença está associada à desidratação e ao desequilíbrio electrolítico, a terapia de suporte é fundamental para a recuperação.

A prevenção é fundamental e passa pela correcta lavagem das mãos e isolamento dos indivíduos infectados e pela vacinação. Vacinas experimentais têm sido preparadas de Rotavírus de animais, não causando doença humana, mas dando protecção contra a mesma. Existe uma vacina viva atenuada do vírus e outra que é uma combinação de 5 antigénios virais.

Em Portugal, a vacina protege as crianças até aos 5 anos. Se a mesma fosse implementada em África poderia salvar milhares de vidas!

No dia nacional do doente com AVC, pareceu-me importante abordar esta patologia que, infelizmente, se tem tornado cada vez mais frequente, sendo actualmente a principal causa de morte em Portugal.
Existem dois tipos de acidente vascular cerebral: o AVC isquémico (mais frequente) e o AVC hemorrágico.

No primeiro, ocorre um enfarte a nível cerebral, ou seja, o fluxo sanguíneo (que transporta oxigénio e nutrientes) deixa de chegar a uma zona do cérebro, o que leva à morte das células cerebrais. Este tipo de AVC é frequentemente causado por uma trombose (formação de trombo num vaso cerebral - um coágulo ou uma placa de ateroma) ou embolia (fragmento de trombo que se solta na circulação e que vai obstruir um vaso cerebral).

O AVC hemorrágico resulta do rompimento de uma artéria cerebral e da hemorragia consequente.
Não tão graves, mas não menos importantes, há ainda a considerar os acidentes isquémicos transitórios (AIT), que consistem em interrupções do fluxo sanguíneo cerebral durante pequenos períodos de tempo (menos de 24h). Os sintomas são semelhantes aos de um AVC, mas duram pouco tempo e sao totalmente reversíveis. Não deixam, no entanto, de ser uma emergência médica visto que aumentam o risco do doente ter um AVC.
As lesões decorrentes de um AVC vão sempre depender das áreas cerebrais afectadas e das funções controladas pelas mesmas. Por exemplo, lesões nos membros direitos indicam lesão cerebral no hemisfério esquerdo e vice-versa.

A intervenção médica urgente (farmacológica ou cirúrgica) é fundamental para tentar reverter eventuais lesões geradas, porém, a situação é particularmente grave quando são afectadas zonas vitais do cérebro.
É fundamental saber reconhecer os sinais, para que se possa agir rapidamente e entrar imediatamente em contacto com os serviços de emergência médica. Os principais sinais são: dificuldade em falar e articular o discurso, desvio lateral da boca ou perda de força num membro. Podem ainda surgir distúrbios visuais, como a perda aguda de visão, a perda sensitiva (dormência dos membros) associada à perda motora, distúrbios da linguagem e eventual afasia e, até mesmo, convulsões.

Prevenir é, mais uma vez, a palavra-chave. Os principais factores de risco para AVC são, tal como para a maioria das doenças cardiovasculares: idade, patologia cardíaca prévia, diabetes, aterosclerose (formação de placas de ateroma que podem obstruir o fluxo sanguíneo, dando origem a um AVC ou um enfarte do miocárdio), hipertensão arterial, dislipidémia (distúrbios do metabolismo dos lípidos), obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, doenças de hipercoagulabilidade sanguínea, existindo também alguma predisposição genética. A ocorrência de AIT ou AVCs prévios num doente, também aumenta o risco de recorrência da patologia.
A prevenção passa por alterar os estilos de vida e, assim, evitar muitos destes factores de risco, os ditos modificáveis. Os principais passos neste sentido, são:
- uma dieta equilibrada (pobre em sal, açúcar e gorduras)
- prática de exercício físico
- não fumar
- manter um peso adequado à altura
- é também fundamental fazer rastreios de: tensão arterial, diabetes, colesterol
Assim, no dia nacional do doente com AVC é fundamental não nos esquecermos da importância de prevenir esta e outras DCV com uma atitude preventiva e uma resposta imediata aos sinais de um possível AVC. "Seja mais rápido que um AVC" e previna-se!